Napra

Núcleo de apoio à população ribeirinha da Amazônia

O Núcleo de Apoio à População Ribeirinha da Amazônia é uma organização privada
sem fins lucrativos que tem a missão de apoiar as comunidades ribeirinhas e promover a
formação de estudantes e profissionais para ação comunitária no contexto amazônico.
As comunidades que apoiamos estão localizadas na zona rural do município de Porto
Velho, ao norte do Estado de Rondônia, nas proximidades de 3 Unidades de Conservação
Federais e em uma extensão de aproximadamente 200 km às margens de um dos mais
importantes rios amazônicos – o Rio Madeira.
Os membros e voluntários do NAPRA passam por um processo de formação sobre o
contexto amazônico incluindo temas referentes à organização social, educação, cultura, saúde,
saneamento e trabalho na floresta. A formação, a vivência e a atuação baseiam­-se na
participação social e na promoção do acesso a políticas públicas que proporcionem melhorias
nas condições de vida das comunidades ribeirinhas, com ações pautadas na educação
popular.

Desta maneira, a organização propicia a vivência e o engajamento entre voluntários e
ribeirinhos na busca por novos caminhos de desenvolvimento fundamentados na valorização
da vida na floresta e de uma efetiva gestão participativa do território amazônico, respeitando a
cultura e os saberes tradicionais de seus habitantes.
Nosso objetivo é possibilitar novas formas de ver e de estar no mundo através das
trocas e experiências vivenciadas, tanto no processo de formação em São Paulo como na
atuação em Rondônia, e fazer com que os estudantes e profissionais que passam pelo NAPRA
se tornem também multiplicadores da causa socioambiental em outras esferas de suas vidas.
Acreditamos que qualquer ação visando a conservação da floresta – seus rios, lagos,
fauna e flora – deve ser desenvolvida em estreita parceria com as comunidades que a habitam,
pois estas populações vivem de maneira integrada à floresta e dependem dela para sobreviver.
Os povos da Amazônia são os principais prejudicados pelo desmatamento e pela expansão de grandes obras de desenvolvimento na região. Apoiá­-las para continuarem sendo efetivas
guardiãs da Amazônia é o nosso grande objetivo.

A origem da instituição remete ao ano de 1993, quando estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade São Francisco (USF), de Bragança Paulista, SP, participaram de um projeto da Igreja Católica chamado Missões Rondônia, permanecendo durante o mês de julho na comunidade de Calama, no Baixo Rio Madeira.
Transformados pela vivência e sensibilizados com a carência da região no campo da saúde, em 1994, os estudantes mobilizaram uma equipe maior, composta por estudantes e profissionais, para prestar assistência na comunidade, durante julho, férias da faculdade. Em 1995, motivada pela iniciativa e pelo empenho dos alunos, a USF incorporou a atividade como projeto de extensão, oferecendo sua estrutura e recursos financeiros para a atuação. O grupo de extensão foi denominado Núcleo de Apoio à População Ribeirinha da Amazônia.

Durante quase uma década, o NAPRA funcionou como projeto de extensão da USF, atuando com equipes de cerca 40 integrantes que se renovavam quase completamente todo ano e compostas, sobretudo, de estudantes e profissionais da área de saúde. Nesse período, as ações foram expandidas para diversas outras comunidades dispersas ao longo de 200 km do Rio Madeira, entre os municípios de Porto Velho (RO) e Humaitá (AM). Em 2001, entretanto, a diretoria da Universidade decidiu extinguir o grupo devido às elevadas despesas envolvidas em sua manutenção. Buscando dar continuidade ao trabalho, os estudantes e profissionais que o integravam assumiram a responsabilidade de levá-lo adiante, se formalizando como uma organização independente composta somente por voluntários.
Gradativamente, estudantes e profissionais de diversas outras universidades do Estado de São Paulo – tais como USP, UFSCar, FAMECA, UNICAMP, PUC-Campinas – e outras áreas do conhecimento – tais como Pedagogia, Psicologia, Engenharias, Medicina, Odontologia, Enfermagem, Ciências Sociais, Biologia, Comunicação – foram se associando ao NAPRA, que passou a se organizar em quatro regionais localizadas em São Paulo, Campinas, São Carlos e Catanduva. A atuação nas comunidades ribeirinhas se organizou, então, de forma interdisciplinar.

Os anos de experiência do NAPRA resultaram em alguns aprendizados que hoje guiam os rumos da organização. Em primeiro lugar, compreendeu-se que a missão do NAPRA não estava apenas relacionada ao fortalecimento das comunidades de Rondônia. A atuação vinha contribuindo significativamente à formação dos associados e ao estímulo para o engajamento desses em questões socioambientais. Para potencializar esses resultados, nos últimos anos, o NAPRA estruturou um processo de formação sobre as questões socioambientais amazônicas, que de ferramenta auxiliar à atuação passou a ter importância própria.

Outra mudança importantíssima se refere às estratégias utilizadas pela organização na intervenção comunitária. A experiência acumulada e o contato com a literatura sobre Educação Popular mostraram que, para uma atuação efetivamente comprometida com a transformação social, os projetos desenvolvidos não poderiam ser “do” NAPRA. Eles deveriam ser dos moradores do Baixo Madeira e o papel do NAPRA, como o nome da organização aponta, deveria ser o de dar apoio aos projetos das comunidades. Por isso, atualmente, todas as ações do NAPRA são pautadas em um princípio básico: os moradores das comunidades apoiadas devem ser protagonistas dos projetos, exercendo suas condições de agentes e se engajando na construção do seu próprio futuro.

Após inúmeras tentativas da estruturação de uma equipe em Rondônia, em 2012, foi fundada a Regional Porto Velho, devido a necessidade de acompanhamento contínuo dos trabalhos nas comunidades para consolidar os resultados dos projetos desenvolvidos ao longo dos anos.
Hoje o NAPRA trabalha em duas frentes igualmente importantes: a da formação nas Regionais do estado de São Paulo e a do apoio permanente às comunidades ribeirinhas em Porto Velho.

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