Reserva Extrativista do Lago do Cuniã

A comunidade do Cuniã encontra-se dentro de uma Reserva Extrativista: a RESEX do Lago do Cuniã, localizada na zona rural do município de Porto Velho, capital do Estado de Rondônia com uma distancia de 130Km da capital.Com uma área de 55.850 hectares, RESEX do Lago do Cuniã foi criada pelo Decreto Presidencial no dia 10 de novembro do ano de 1999, sendo assim uma unidade de conservação federal do Brasil.

Uma das marcas desta reserva é seu exuberante lago, ao redor do qual grande parte dos moradores se concentram. Para acessa-la é possível percorrer diferentes caminhos por comunidades ribeirinhas próximas ao Lago do Cuniã, através de igapós, igarapés ou por trilhas à margem esquerda do Rio Madeira. Na época da cheia, o acesso ao lago se dá por várias vias fluviais, há cerca de 7 horas de voadeira de Porto Velho. No verão, época em que o nível dos rios e igarapés baixam e que os igapós secam, é possível chegar ao Cuniã por meio de uma trilha de cerca de 12 quilômetros no meio da mata partindo de São Carlos do Jamari, outra comunidade apoiada pelo NAPRA.

Os moradores do Cuniã são descendentes de migrantes nordestinos que vieram para Rondônia trabalhar nos seringais e de índios que habitavam a região, sobretudo os da etnia Mura. Apesar de ocuparem a região a tanto tempo, nos anos 1980 a permanência de seus moradores na localidade foi ameaçada quando foi decretada a criação de uma Estação Ecológica, uma unidade de proteção integral e que não poderia ser habitada, em toda a abrangência do lago. Somente após um prolongado período de lutas por seus direitos de permanecer no local é que a população local fez com que parte da Estação Ecológica fosse convertida em Reserva Extrativista, unidade de conservação de uso sustentável e que permite a existência de moradores. Até por conta desse histórico de lutas, os moradores de Cuniã estão entre os mais bem organizados do Baixo Madeira, possuindo uma associação forte e representativa dos moradores a ASMOCUN (Associação de Moradores do Cuniã).

Atualmente, cerca de 90 famílias habitam a reserva. A maioria das casas são construídas de madeira, havendo algumas casas com partes ou totalmente construídas de alvenaria. As famílias estão distribuídas em quatro núcleos, sendo que três desses se localizam ao redor do lago do Cuniã e o último fica às margens de um dos principais igarapés que desembocam no lago. O transporte entre os núcleos é feito por meio de pequenas embarcações.

As comunidades de Cuniã ao longo dos anos foram recebendo melhoras na infraestrutura, porem ainda há a necessidade de investimento na região, assim tendo uma infraestrutura modesta se comparada com outras comunidades apoiadas pelo NAPRA.  A comunicação entre os moradores dos núcleos é difícil, já que há apenas um telefone (público) em toda a Reserva, localizado próximo a sede do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão público responsável pela gestão da Unidade de Conservação.

Há um posto de saúde na comunidade, instalado em um prédio de alvenaria. O posto conta com uma equipe fixa, mantida pela Secretaria de Saúde de Porto Velho (SEMUSA), porém sem nenhum enfermeiro, odontologista ou médico. Com bons equipamentos, atendimento e além do abastecimento com medicamentos básicos, a comunidade não tem um atendimento medico especializado, necessitando viajar para Porto Velho para exames e emergências médicas. Além da dificuldade da região de acesso fluvial no período da seca.

A Escola Municipal Francisco Braga é a única escola da comunidade. A escola oferece aulas para o Ensino Fundamental: 1º ao 5º ano no período da manhã e do 6º ao 9º ano no período da tarde. Lanchas da escola são responsáveis pelo transporte dos estudantes, visto que alguns núcleos são distantes da escola e a locomoção só se dá via embarcação.